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Nível de escolaridade não implica, necessariamente, em boas escolhas políticas ou ideológicas.
O QUE ME MOTIVOU A ESCREVER ESTE TEXTO?
Foi o comentário de uma pessoa em uma rede social, afirmando que os eleitores do atual presidente dos Estados Unidos eram ignorantes e pouco escolarizados. Essa generalização despertou em mim a necessidade de refletir sobre o equívoco de associar escolaridade à capacidade de boas escolhas políticas ou ideológicas.
Por Marcos Antonio Vasconcelos Rodrigues
Volta e meia alguém repete aquela frase : “a educação é o caminho para o bom voto”. A afirmação parece sensata, e até soa bonita aos ouvidos, mas, na prática, não passa de mais um chavão confortável. Já testemunhei, não poucas vezes, gente com títulos de pós-doutorado exaltando regimes autoritários ou, pior ainda, grupos terroristas como se fossem exemplos de justiça social.
Pessoas que ostentam com orgulho a própria “formação intelectual”, mas que viram o rosto diante do sofrimento do outro, desde que o opressor de plantão esteja alinhado com a ideologia de estimação.
E eu pergunto: isso é consciência?
É bom lembrar que escolaridade é técnica, não é lucidez moral. Uma pessoa pode dominar literatura, direito, estatística ou filosofia e, mesmo assim, permanecer refém de ídolos políticos que jamais ousa questionar. Sem senso de justiça, empatia e humildade para rever suas crenças, continuará votando mal, e pior, usará palavras bonitas para legitimar o que é, no fundo, indefensável.
A história está aí para desmentir a ideia de que educação formal leva à boa escolha política. A Alemanha nazista, uma das nações mais instruídas do seu tempo, mergulhou no horror. O stalinismo foi ovacionado por acadêmicos. Cuba, até hoje, é romantizada por estudantes que jamais enfrentaram um único dia sem liberdade.
Existe uma soberba intelectual que chega a ser mais nociva que a ignorância, aquela que acredita que o acúmulo de diplomas imuniza contra o erro. A pessoa estuda muito e, de repente, acha que nunca mais pode estar equivocada. Se alguém discorda dela , vira "burro", "fascista", ou qualquer outro rótulo que dispense o debate.
Por isso mesmo, vemos tantos “intelectuais” defendendo autoritarismo e até discursos favoráveis a grupos terroristas. Não é por falta de leitura, é por excesso de vaidade ou por cegueira ideológica.
Não estou aqui para desprezar o estudo, muito pelo contrário. Mas é preciso admitir que a escola não fabrica cidadãos conscientes. Diploma não é sinônimo de ética. E consciência política não nasce só da leitura de livros, mas do confronto de ideias, do respeito ao contraditório e da coragem de mudar de opinião quando for necessário.
A educação cumpre com uma das suas finalidades quando nos faz perceber que algo pode parecer “do bem” e, ainda assim, ser profundamente injusto e opressor. Está escrito em Provérbios 14,12: "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte."
Portanto, chega de tratar o diploma como um selo de sabedoria política. A inteligência do voto não mora no currículo, mas na consciência. E esta, meu caro, não vem com carimbo acadêmico. Se alguém usa o saber para justificar a tirania, está mais perdido do que o analfabeto que, ao menos, ainda tem a humildade de aprender.
O que nos engrandece não é o título que recebemos , é o que fazemos com ele.
Escrito em 26 de julho de 2025, durante uma festinha familiar no alto sertão de Irauçuba, Ceará – Brasil, às 23h.
Enquanto ao redor tocavam músicas em volume alto, as pessoas riam, bebiam, comiam e dançavam com alegria, eu, um pouco à parte daquele turbilhão festivo, sentado à mesa, escrevia esse texto.