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(E por que ele enfraquece o futebol da própria terra)
O torcedor terceirizado é aquele que não torce por nenhum time do estado ou da região onde nasceu, mas escolhe torcer apenas por clubes de fora, principalmente do eixo Rio–São Paulo, como Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e outros.
Ele mora no Ceará, vive no Ceará, trabalha no Ceará… mas sua paixão esportiva está totalmente direcionada a clubes que nem fazem parte da sua realidade cultural.
E o pior: muitos sequer sabem onde fica o estádio do clube pelo qual dizem torcer. Não sabem em qual bairro, não conhecem a história completa, não conhecem as raízes. Apenas repetem um amor que foi “plantado” pela televisão e pelo rádio.
E por que isso acontece?
Porque durante décadas, principalmente na época das transmissões em rede nacional, as emissoras priorizaram os clubes do Rio e São Paulo, empurrando esses times para dentro das casas do Nordeste e do Norte, como se fossem “os únicos que existiam”.
O resultado foi óbvio:
criou-se uma torcida gigantesca fora do lugar de origem desses clubes,
e enfraqueceu-se o futebol local e regional.
E aqui entra a parte mais séria:
Quando um torcedor terceirizado compra camisa, produtos oficiais, assina canais, consome conteúdo e fortalece audiência de um time de fora, ele está fazendo uma transferência de recursos.
Ou seja:
enriquece o clube de fora
e empobrece os clubes da sua própria terra
E depois muitos ainda reclamam:
“Ah, mas os clubes do Nordeste são discriminados.…”
Claro que são! Como não vão ser se até grande parte do povo daqui prestigia os clubes de fora?
Não estou dizendo que é proibido torcer por quem quiser. Cada um tem liberdade.
Mas também é preciso reconhecer que o torcedor terceirizado e torcedor misto são partes do problema histórico da desigualdade do futebol brasileiro.
Felizmente, com as redes sociais e com o aumento da consciência regional, essa mentalidade está mudando. E tomara que mude cada vez mais.
Porque quem ama sua terra, valoriza o que é da sua terra.
Inclusive no futebol.
Marcos Antonio Vasconcelos Rodrigues
Professor pesquisador. Acompanha futebol desde os anos 1970.
Texto publicado no Recanto das Letras e em outras plataformas digitais.
Observação: se minha preocupação central fosse arrebanhar seguidores e conquistar visualizações e cliques, obviamente eu não publicaria esse tipo de conteúdo. Porém, eu preciso falar sobre temas tabus que a mídia tradicional não tem coragem de abordar.
Crédito da imagem: Inteligência Artificial GROK