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ORGULHO de ser professor – depois de velhinho, ainda continuo na luta
Sempre me orgulhei de ser professor. Foi à docência que dediquei praticamente toda a minha vida profissional, desde os vinte e poucos anos. Comecei no Colégio São Francisco, nos anos 1980, em Fortaleza. Desde então, o magistério passou a fazer parte não apenas da minha trajetória profissional, mas também da minha própria história de vida.
Mesmo sendo uma profissão historicamente pouco valorizada, marcada por baixos salários e muitas dificuldades, nunca pensei em abandoná-la para seguir outra carreira.
Nunca tive vergonha de dizer que sou professor. Pelo contrário, sempre pronunciei essas palavras com convicção.
Uma das maiores recompensas dessa longa caminhada é perceber que o trabalho realizado em sala de aula deixou marcas positivas na vida de muitas pessoas. É gratificante chegar a uma clínica médica e ser atendido por um médico que um dia foi meu aluno. É igualmente emocionante saber que antigos alunos se tornaram professores universitários e hoje contribuem para a formação de novas gerações.
Essas experiências mostram que a importância de um professor vai muito além dos conteúdos que ensina. Seu trabalho atravessa gerações, participa da construção de histórias e colabora diretamente para a transformação de vidas.
Agora, já velhinho, mas ainda na luta, depois de tantas décadas dedicadas à educação, tenho a consciência tranquila de quem escolheu uma profissão difícil, nem sempre reconhecida como deveria, mas de enorme relevância social.
Se tivesse de escolher novamente, escolheria ser professor. Principalmente agora, quando percebo que parte da sociedade começa a despertar para a importância e a valorização do professor, mesmo diante das profundas transformações provocadas pela internet e, mais recentemente, pela IA.
Quando comecei minha trajetória como professor, as avaliações eram reproduzidas em mimeógrafos. Na aplicação das avaliações, o cheiro de álcool era companhia até o final das provas ou trabalhos. Não havia computadores, internet, plataformas digitais nem qualquer um dos inúmeros recursos tecnológicos de que os professores dispõem atualmente.
Marcos Antonio Vasconcelos Rodrigues
@profmarcosvasconcelos